E, suavemente, passou a mão pelos seus cabelos; encaracolados, sedosos. Olhou para ela: a sua pequenina. Tão bonita. Tão (ir)responsável. Tão inocente. Ali estava, no aeroporto da cidade, com o pai prestes a embarcar.
E ele abraçou-a, com mais força que nunca. As lágrimas, suaves gotas de tristeza, começavam a escorrer pela sua face enrugada e infeliz.
E a menina logo perguntou:
- O que se passa, papá? Porque estás a chorar? Eu não gosto de te ver chorar...
O homem secou as lágrimas, fez um enorme esforço para parar, e respondeu:
- Minha linda... O papá vai viajar. Vai para um sítio muito bonito, lá no outro lado do mundo - disse, apontando para a janela mais alta do edifício - E vai trazer muitos brinquedos para ti.
- Mas... Eu não quero, papá! Eu... Eu quero-te ao pé de mim... mamã, não deixes o papá ir! - suplicou a pequena.
Mas a mãe nada disse; nada fez. Apenas olhou para o chão - havia de ter sido pisado por muitas outras pessoas, na mesma situação que o seu marido.
E ele pegou na menina ao colo. Apertou-a contra si, como nunca havia apertado. Deu-lhe um beijo na bochechinha rechonchuda e rosada. E sussurrou ao seu ouvido:
- O papá vai estar sempre contigo, filhota. Mesmo estando tão longe. E não te preocupes: um dia, eu irei voltar; com sacos cheios de presentes para ti e para a tua mãe. Vou-te dar muitos beijinhos, e talvez volte a viver contigo... Minha pequenina... - e chorou, mais uma vez: já não se conseguia conter.
Pousou a menina no chão; deu-lhe mais um forte beijo, e partiu rumo ao avião que o levaria para o outro lado do mundo... E para longe da sua filha.
- O papá vai estar sempre contigo, filhota. Mesmo estando tão longe. E não te preocupes: um dia, eu irei voltar; com sacos cheios de presentes para ti e para a tua mãe. Vou-te dar muitos beijinhos, e talvez volte a viver contigo... Minha pequenina... - e chorou, mais uma vez: já não se conseguia conter.
Pousou a menina no chão; deu-lhe mais um forte beijo, e partiu rumo ao avião que o levaria para o outro lado do mundo... E para longe da sua filha.
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Tinham-se passado quatro anos. Quatro duros e tristes anos. Quatros anos em que o pai não pensava noutra coisa: 'como estará a minha menina?'. 'Será que ainda se lembra de mim?'.
E, finalmente, chegara o dia. O dia em que voltaria a ver a sua pequena. Em que a voltaria a abraçar. Em que a voltaria a beijar. Em que a voltaria a olhar.
Chegara ao aeroporto. Procurou pela sua família, no meio de toda aquela gente. E, finalmente, avistou-as. A sua mulher; a sua filha - ali estavam, à sua espera, a poucos passos de si.
Correu pelo meio das pessoas. Gritou de felicidade. Agradeceu a Deus por voltar a ver as suas princesas.
E apertou a sua pequenina. Tinha crescido: faria, daí a pouco tempo, os seus oito anos. Mas não se esquecera do pai. O seu querido e amado pai.
Podiam ficar ali para sempre: no paraíso do abraço entre pai e filha. Choraram. E ele deu-lhe brinquedos. Os prometidos brinquedos. Mais brinquedos do que ela já alguma vez tinha visto - cumprira a promessa. Mas a mais importante de todas - tinha voltado. E isso supera todos os brinquedos, todos os jogos, todas as coisas que alguma vez alguém possa ter.
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E aqui está, mais um pequenino texto da minha autoria :)
Desta vez, dedicado a todos os emigrantes que se viram obrigados a abandonar o seu país por questões financeiras :(
Se gostaram deste texto, deixem-me a vossa opinião nos comentários, significa muito para mim ♥
E não deixem de ver o vídeo que se encontra divulgado na página lateral do Blog; sem dúvida uma grande lição de vida que não passa despercebida a ninguém.
Obrigada por gostarem e lerem o meu Blog! B♥
